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“A comunicação não é um setor que olha para ele mesmo, sempre está olhando para fora, para os outros setores”

Hoje entrevistamos a jornalista Danielle Abel, que atua no setor de consultoria e prestação de serviços em comunicação interna, endomarketing e TI. Na entrevista ela fala sobre como a gestão de conhecimento e a comunicação são importantes para alcançar o sucesso e dá alguns exemplos que estão sendo aplicados na Petrobras.

Como a gestão de conhecimento pode influenciar a comunicação interna nas empresas?

A gestão do conhecimento é fundamental para disseminar uma série de soluções a problemas corporativos. A questão é que o mercado brasileiro ainda não conhece essa metodologia de trabalho.

O quão troca de conhecimento é importante na área de TI?

Depende muita das organizações, mas o que percebo é a aplicação da gestão do conhecimento em um momento de transição de carreira, onde existe um processo de transferência de conhecimento. Mas dependendo da situação, isto pode ser um complicador, por exemplo: tenho participado de alguns eventos de Gestão de Conhecimento e vemos casos como o apresentado pela EMBRAER, onde há um trabalho mais estruturado, existe um processo contínuo de transferência deste conhecimento. Ou seja, para eles, a gestão do conhecimento não está apenas em uma função de mentoria, onde há a transição apenas quando uma pessoa está saindo.

Segundo a pesquisa ‘O perfil do profissional de comunicação interna no Brasil’, os profissionais apontam que os principais problemas nas empresas são: a falta de apoio da alta gestão e a falta de processos efetivas à comunicação. Como mudar este quadro, o quão prejudicial isto é às empresas?

Pela minha percepção isso ocorre sim, mas na verdade não é que a gerencia não apoie a comunicação, mas por ela estar focada em resultados ela percebe o quantitativo e não o qualitativo, que é onde a comunicação interna está. Então, se o comunicador trazer alguns conceitos que quantifiquem este trabalho, acredito que a gerência terá outro olhar sobre a área. É neste momento que entram os softwares como o da SocialBase, que permite medir a comunicação.

Em relação as ferramentas, 10% dos entrevistados da pesquisa ‘O perfil…’ apontam não terem ferramentas eficazes para por em práticas as ações de comunicação. Isso de fato é limitador? Como você vê a entrada destas tecnologias nas organizações?

No caso da Petrobras onde atuamos como prestadores de serviço de Automação e promovemos a gestão do conhecimento encontramos no início alguns bloqueios, inclusive com número de horas determinadas para acessar o Facebook e Linkedin, por exemplo. Aí a empresa criou o Conecte, que é um rede social do conhecimento e ela foi aberta para todos os colaboradores de áreas administrativas, onde é minha área de atuação. Dentro desta área houve esta mudança, ou seja, de uma limitação temporal, para acesso total as redes, evolui-se à abertura completa. E, com essa abertura, na minha opinião, cria-se um concorrência entre as redes internas e externas.

Essa concorrência não é prejudicial se visualizada pela ideia da fragmentação da informação?

Sim, isso acontece, mas ao mesmo tempo que há um complicador há também um facilitador. Por exemplo, para a empresa é melhor haver esta diversidade do que ela ficar refém de um único fornecedor.  Ou seja, entramos aqui novamente na questão do conhecimento, onde é preferível que ele esteja em toda a empresa e não apenas em um único local.  

Qual a importância da rede no caso da Petrobras?

Isso é muito variável, quando há um estrutura muito grande, como é na Petrobras, onde há diversas áreas do conhecimento e cada uma delas é um mundo, isso vai depender de cada área. Por exemplo, área de comunicação interna utiliza a rede para compartilhar campanhas, em algumas áreas de engenharia a rede é utilizada para compartilhar trabalhos e boas práticas. Além disso, há um grupo que entende a rede como um Facebook mesmo. Por esta diversidade, os administradores viveram um dilema: padronizar e endurecer a rede ou deixar as pessoas livres para utilizar da maneira como desejavam. Como a política da empresa é muito democrática, optou-se por deixar que os usuários moldem a rede. Na minha opinião, isso é muito inteligente, pois não adianta nada impor um ferramenta, uma prática.   

Como circula a informação dentro da rede, existe uma integração entre os colaboradores?

Sim, existem eventos que são organizados pelos próprios formadores de opinião que estão dentro da rede. Claro, como a Petrobras tem uma Comunicação Interna forte e cada área tem o seu setor de comunicação a ferramenta de comunicação social é independente da área de comunicação, e é gerenciada pela área de gestão do conhecimento.    

A inciativa de se ter uma ferramenta social interna esta mudando a cultura na empresa?

Sim, mas pela estrutura da empresa o movimento é muito lento.   

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Sobre a entrevistada

fotoJornalista, apaixonada por inovação, conhecimento e conteúdo online, pós graduada em Marketing,  possui 18 anos de experiência na área de marketing empresas B2B e B2C nacionais e multinacionais, atua com estratégias de gestão do conhecimento associada à marketing digital para a área de TI e Telecom na DCT.

 

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