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Crise? O futuro dos negócios é a economia digital

Crise! ao menos hoje (29/09), dia em que escrevo este artigo, em qualquer site jornalístico que se acesse está estampada na capa a crise econômica mundial, brasileira e outras diversas crises que acometem, como escreve Douglas Adams, este “planetinha verde-azulado absolutamente insignificante, cujas formas de vida, descendentes de primatas, são tão extraordinariamente primitivas que ainda acham que relógios digitais são uma grande ideia”.

A crise mundial, bem! Acredito não ser segredo para ninguém. Exceto, claro, para alguém que tenha estado nestes últimos 20 anos em coma e acabara de acordar, mas como acredito não ser este o seu caso, vamos ao que importa: o futuro da economia.

Segundo reportagem do periódico francês Le figaro, publicada hoje (29/09), o banco Société générale pretende fechar 400 agências físicas pelo mundo, até 2020. Culpa da crise? Sim e não. De acordo com o gerente de negócios, a instituição quer se adaptar à evolução do mercado, ou seja, gastar mais tempo e energia na gestão das contas online de seus clientes.  

A ‘iniciativa’ do banco francês vai ao encontro da economia compartilhada que vem se moldando. Por exemplo, o contestado Uber é, talvez, a maior empresa de táxis do mundo, todavia na prática não tem nenhum veículo. O mesmo acontece com Airbnb; o aplicativo focado em locações de imóveis temporários tem só no Rio de Janeiro 20 mil registrados. No Brasil são mais de 45 mil.

A ideia dos aplicativos é simples e direta: unir interessados no serviço a quem o vende, sem intermediários, ou seja, sem o sistema. Por esta lógica, todos podemos oferecer algo a alguém. Segundo Alan Krueger, ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos dos EUA, estes aplicativos geram novas oportunidades financeiras, que são criadas por milhares de trabalhadores. 

“A disponibilidade da tecnologia moderna, como o app Uber, proporciona muitas vantagens e preços mais baixos para os consumidores, em comparação ao sistema táxi tradicional, e isso tem impulsionado a demanda pelo serviço, que, por sua vez, aumentou a demanda total para os trabalhadores com as habilidades necessárias para trabalhar como para contratar motoristas, elevando potencialmente ganhos para todos os trabalhadores com tais habilidades”, argumenta Krueger ao Journalist´s Resource.

Contudo, esta visão otimista não é uma unanimidade, tanto Uber quanto o Airbnb são contestados mundo afora, no Brasil já há propostas para regulamentar os serviços.  “Ninguém quer proibir. O que pleiteamos é a igualdade tributária” destaca o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih), Alfredo Lopes ao site JusBrasil.

Embora haja entraves e a discussão siga em suas linhas duras, de acordo com a SAP, o Uber e Airbnb são apenas o começo. Segundo projeções do centro de negócios da empresa, a economia compartilhada irá crescer 3000% até 2030 e junto a ela o Crowd funding crescerá no mesmo período 200.000%.

Annete Bernhardt, da Universidade da Califórnia, sinaliza em seu estudo que a natureza do trabalho mudou e isso contribui à deterioração das normas tradicionais. Juliet Schor, do Boston College, comenta que este novo sistema descentralizado, baseado na tecnologia, dá aos trabalhadores maior poder de negociação. Segundo ele, de um lado vemos as empresa agindo em prol de seus interesses capitais e de outro as pessoas em busca de propósito. São “estas novas tecnologias de atividade econômica peer-to-peer as ferramentas potencialmente poderosas para a construção de um movimento social centrado em práticas genuínas de compartilhamento e cooperação na produção e consumo de bens e serviços. Mas a realização desse potencial exigirá a democratização da propriedade e governança das plataformas,” escreve ele.

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