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MINHA EMPRESA EM: o coroné dos anos 70

Esta é a MINHA EMPRESA, um ótimo lugar para se trabalhar, com ambiente amigável, funcionários competentes e engajados. No entanto, contudo, todavia a MINHA EMPRESA tem um vários problemas. Hoje vamos falar da empresa tradicional.

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Nascidos a partir de 1982, os millennials são alvo de constantes avaliações e análises de especialistas. Considerados nativos digitais, eles estão revolucionando o mundo e a forma de pensar a economia, a organização social e quebrando paradigmas no trabalho.

Segundo a Revista TIME, em artigo publicado em 2013, trata-se da geração ME, ME, ME; em tradução livre: EU, EU, EU. A publicação destaca que os millennials – que somam, segundo o censo de 2010, mais de 50 milhões de jovens, no Brasil – são preguiçosos e menos ativos na busca de seus objetivos se comparado as gerações anteriores.

A revista justifica a afirmativa ao descrever que os membros desta geração acreditam obter sucesso profissional muito mais cedo e sem muito esforço. Para os especialistas ouvidos pela TIME, os millennials são também mais alienados, porque demonstram menores níveis de engajamento social; pois falta a eles consciência coletiva, alegam os entrevistados.

A contrariedade aparente entre lead e sublead é alimentada por uma recente pesquisa à nível mundial da Deloitte. O estudo apontou que ao contrário das ideias da revista americana, os millennials estão preocupados com uma vida equilibrada entre o trabalho (economia) e o social (qualidade de vida).

Segundo a Deloitte, 75% dos jovens salientam que as organizações estão concentradas em excesso em suas agendas e lucros e deixam de lado o mais importante: sociedade; pessoas e o propósito.

Os números apontam também uma queda do interesse destes jovens em atuar em multinacionais. Apenas 35%, em mercados desenvolvidos, declaram ter aspirações em compor as fileiras destas organizações, em mercados emergentes o percentual sobe para 51, mas em queda se comparado ao estudo de 2013.

No Brasil, uma pesquisa conduzida pela SocialBase, mostra que 74% destes jovens (geração millennial) acreditam que as empresas devem investir tanto na geração de capital quanto na melhoria social e o desenvolvimento de seus colaboradores.

De acordo com os jovens – seguindo a tendência mundial – as empresas focam em demasia em seus lucros e sua agenda, deixando de lado o social.

O resultado comprova o baixo interesse, também de jovens brasileiros, em atuar em empresas à nível mundial. Abaixo dos números verificados em mercados emergentes, somente 30% anseiam empregar-se em multinacionais. Em contra partida, 49% destacam o empreendedorismo como próximo passo na carreira.

Para o Jornalista e professor da Universidade do Vale do Itajaí, Gustavo Zonta, a academia está se esforçando cada vez mais para mostrar aos estudantes o caminho do empreendedorismo.

No entanto, relata ele, há um longo caminho a percorrer. “Acredito que seja preciso despertar ainda mais nos estudantes essa potencialidade para que novas empresas surjam. Mas confio que o cenário é cada vez mais promissor. E isso é muito positivo! Quanto mais diverso os serviços oferecidos mais oferta de trabalho e também mais procura por esses profissionais” finaliza Zonta.

Jovens empreendedores

Para Felipe Ballin, sócio proprietário do Estúdio Nano, o empreender está no sangue. Ele conta que na família todos buscam atuar em seus projetos. Segundo ele, além da concretização de um sonho, ter o próprio negócio traz mais liberdade. “No começo, foi muito difícil, pois a faculdade só ensina a teoria, então, a experiência vem com o tempo e com os erros. Hoje, após cinco anos conseguimos nos consolidar no mercado”, pontua Ballin.

Em busca desta sonhada liberdade muitos jovens experimentam em novos negócios; alguns não obtém sucesso de primeira, mas não desanimam. É o caso da designer Luana Portella, segundo ela, pela falta de experiência na captação de clientes seu empreendimento não decolou. Entretanto, ela aponta: “o que mais motiva a novas tentativas e até a busca de novas oportunidades de trabalho é a falta de reconhecimento das empresas”.

Esta falta de reconhecimento profissional reflete nos dados apresentados na pesquisa. Apenas 50% dos jovens trabalham visando alcançar um cargo de liderança no atual emprego, enquanto 20% alegam estar em busca de novas oportunidades de trabalho.

Luana salienta a desvalorização profissional e a estagnação do conhecimento como estopins a esse curso. “Penso em trocar de emprego quando analiso que o atual não tem mais nada a me acrescentar. Mas a valorização, é o que mais pesa. Não adianta ser realizada profissionalmente e ‘passar fome’. Mas também não adianta ter dinheiro e ser frustada, é preciso um equilíbrio”, comenta Luana.

Este equilíbrio entre vida e trabalho foi o que motivou Mari Bleyer, CEO da  Nuvem Comunicação, a distanciar-se das empresas e buscar autonomia. Para ela, o acúmulo de pequenos incômodos corporativos interferem na convivência com a família. “Sempre achei extremamente absurdo passar mais tempo com as pessoas do trabalho do que com a minha família”, analisa. Para ela, embora seja ‘normal’, a rotina intervem até mesmo em coisas básicas, como uma ida ao banco ou ao médico. “Tudo dependia de atestados ou compensação de horas, mesmo que, independente da ‘falta’ meu trabalho estivesse todo em dia”, finaliza Mari.

Valores

As percepções das entrevistadas vão ao encontro dos ideais da geração millennial que contrariam a reportagem da TIME. Segundo Cláudio de Musacchio, doutorando em Informática na Educação – em artigo publicado no Baguete, esta geração é mais saudável, mais esportiva e defendem o meio ambiente com bandeiras de crescimento sustentável.

Segundo o autor trata-se de uma geração mais estudiosa e compenetrada. “São ‘nerds’ e estão buscando os estudos como meta de melhorar a vida e não somente seu status profissional de busca de melhores salários”, complementa o autor.

Embora, ainda utilizado por algumas empresas como apelo de captação a novos talentos, altos salários são apenas um dos pontos avaliados pelos profissionaismillennials. Segundo a pesquisa, 29% dos entrevistados dizem ser uma alta remuneração atrativa na escolha de um novo posto de trabalho. Por outro lado, para a maioria deles (77%),  as empresas que possuem um bom clima organizacional e a possibilidade de atuar em home-office e/ou com horários flexíveis têm a preferência na hora da escolha.

Confira aqui o infográfico da pesquisa.

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Perdeu os primeiros capítulos, acesse-os aqui | aqui | aqui e aqui
Não perca amanhã (18/07): MINHA EMPRESA EM: o maníaco do whatsapp
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Roteiro e História: Ivanir França
Arte e História: Eduardo Castro

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