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Ter emprego ou ter propósito? Profissionais em modo BETA

[Por Elaine Teles via Coletividad]

Diferente da geração anterior, no caso, a chamada geração X que consiste nos nascidos entre o final dos anos 60 até o início dos anos 70, onde o grande status era ter uma formação acadêmica, hoje se repensa quais são as prioridades em um plano de carreira. Estabilidade ou amor pelo que se faz?

Impulsionados por uma voz que sugere diária e inconscientemente  — “sejam criativos!” —  permanecemos em busca de algo que nos dê satisfação e não apenas salários com base em comparativos de mercado. Hoje grande parte da sociedade dedica-se a atividades paralelas ao emprego, e isso é uma abertura para a economia criativa.

A graduação não é o bastante, especialização ajuda, mas não garante, idiomas já são um bom começo… Ainda assim parecemos cercados por um sentimento que cobra o nosso voto ao questionar: importa mais o seu preço ou seu valor?

Ter um plano de carreira equiparou-se com ter um projeto de vida, e cá entre nós, nada mais natural se pensarmos que ambos se fundem de modo que a carreira define o comportamento social de uma pessoa. Se essa é a regalia ou a praga da Geração Y, vulgo Millennials, eu não sei, fica a critério de cada otimista ou pessimista, particularmente ainda mantenho a minha visão realista e confusa de alguém incapaz de batizar a época em que vive…

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Apenas uma profissão não supre mais nosso bem-estar. Aquela ideia já manifestada de “tenha um trabalho fixo, mas porque não criar também um projeto seu?” — tem como resultado a média de que aproximadamente metade dos Millennials planeja ou já encabeça um projeto próprio.

O boom de empreendedorismo dos dias atuais e o surgimento de novas profissões é consequência dessa nova geração que, por meio de sua maneira de encarar o trabalho, já começa a influenciar as gerações futuras e criar um cenário inédito no mercado mundial. — Segundo publicação do blog Convenia.

É mais seguro, financeiramente falando, ser objeto de uma profissão que te distingue por um nome qualquer da Classificação Brasileira de Ocupações do Ministério do Trabalho — aquela lista de A a Z com funções do tipo: “modelo de modas” — Mas quantos hoje batem no peito orgulhosos desses títulos no seu dia a dia? O fato é: pessoas não são cargos, pessoas são mais que uma idade, um salário ou um sobrenome… E é esse tipo de consciência que não se sente preenchida no século XXI.

Período em que a busca pelo novo torna possível a seleção de uma modelo com síndrome de down para a campanha de uma marca australiana e o nascimento de um “site humano”, a loja online de consumo colaborativo, já bem conhecida: Enjoei — que, pra quem gosta, o continuecurioso fez uma matéria mostrando o ambiente de trabalho..

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A geração do meio-termo entre analógico e digital entende que conhecimentos se ampliam através de parcerias,  — Coletividad aqui pra provar :) —  que a consciência precisa estar motivada, que os salários muitas vezes não acompanham as necessidades do trabalhador, e que mesmo assim, precisamos ser inventivos conforme fomos ensinados por anos de estudos a fio. Até o dia que por algum motivo caímos naquele tipo de vaga “operacional”, que não é suficiente pra fazer o criativo vestir a camisa da empresa, afinal pra ele gerenciamentos nos moldes do taylorismo ou do fordismo não fazem sentido como propósito de vida… Novo zeitgeist.

Como adendo: “Taylorismo e fordismo são formas de organização da produção industrial que revolucionaram o trabalho fabril durante o século XX. Esses dois sistemas visavam à maximização da produção e do lucro.” — Fonte de pesquisa

Dentre algumas das experiências que palestras do TED me deram, amo uma em particular que a biógrafa Doris Kearns Goodwin chama de “lições de ex-presidentes”. Amo pelas boas histórias e amo por serem fruto das pesquisas que a tornam uma pessoa feliz. Brilho nos olhos, sabe? Vale a pena.

Lá, a Doris cita o que aprendeu com um psicólogo chamado Erik Erikson: “ele nos ensinou que as vidas mais ricas e completas tentam alcançar um equilíbrio interno entre três esferas: trabalho, amor e diversão” — aprendizado este que conecta suas várias histórias. Como exemplo ela cita Abraham Lincoln, que conseguiu alcançar este equilíbrio vivendo no meio de uma guerra civil. No caso, ele viveu ‘o sonho da asa própria’ pra construir… Pra ser lembrado. E da dificuldade veio a tal da motivação.

O local de trabalho não se resume mais a um escritório com regras claras, funções específicas para cada indivíduo tornaram se funções múltiplas de interesse coletivo e sucesso não é mais sinônimo de estabilidade. Diplomas não garantem colocações, vidas profissionais e pessoais começaram a se unir no happy-hour e o tempo de crescimento profissional varia, tendo em comum apenas a desejo de VIVER o percurso até concluir o ideal.

Certa vez li que cerca de 85% do que aprendemos acontece no trabalho, o que é natural já que é onde passamos a maior parte do dia, e agora ter tesão pelo que se faz significa ter sucesso. Com o advento da economia criativa, o boom do empreendedorismo, o reconhecimento de novas carreiras criativas e a valorização do cenário coletivo, percebeu-se que o mundo já entendeu que existe um novo tipo de profissional inserido no mercado, mas a dificuldade de emplacar esses novos tipos de carreira faz parte de um problema universal e toda dificuldade projeta a procura por uma solução…

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São pessoas que cresceram com uma mentalidade líquida de ritmo acelerado, e são capazes de se desapegar com tamanha facilidade, que alguns counselors de carreira já citam a necessidade de encontrar pessoas que possuam como características paciência e persistência, tidas como atitudes perdidas. Sem citar a tal da re-si-li-ên-cia que, aliás, se quiser desenvolver um pouco a Obvious tem um “convite à reflexão”.

Nossa geração informaliza a educação ao criar novas formas de comunicação, muda de direção sem cerimônia e continua a crescer com uma tendência impregnada: criar ou gerar uma sensação de novidade.

É engraçado pensar no documentário “Influencers — How Trends & Creativity Become Contagious” (não percam a oportunidade de ver), que fala a respeito de como as tendências se espalham e das conjunturas de tempo e espaço que promovem isso, e nesse contexto é viável citar o Du E-Holic, um artista itinerante que largou uma carreira estável e promissora pra ser, como ele mesmo diz, “um chapeleiro feliz e sem CEP, a bordo de um furgão 1952, por +- 500 dias pelo Brasil atrás de histórias e pessoas especiais…”.

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Processo viral ou não, a busca pela satisfação é um desejo que supera qualquer clichê, e o único fato incontestável é que não tá fácil pra ninguém…
Nesse caso, vale a pena pensar que quem se adapta melhor pode evoluir com as mudanças e viver o presente tem suas vantagens.

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