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Produtividade e engajamento nas mãos da empresa

A massificação da geração millennial no mercado e os primeiros movimentos de entrada da chamada Z às fileiras das empresas está promovendo mudanças na forma como o trabalho é feito e em consequência disso a flexibilidade deixou de ser uma tendência; é uma realidade, que deve estar na pauta das organizações.

Otávio Cavalcanti, diretor da Regus Brasil, aponta que este novo profissional não está interessado em trabalhar de segunda à sexta em um escritório das 9h às 18h. Segundo pesquisa realizada pela organização, este comportamento se deve a características intrínsecas às gerações e também em grande parte as más condições de mobilidade das grandes cidades.

A mobilidade é apontada, de acordo com a pesquisa, como uma das principais vilãs quando o assunto é a renda do trabalhador. Em países como Brasil e França o deslocamento até a empresa suprime 6% dos ganhos. A análise aponta que em cidades como Belo Horizonte e Recife este montante pode chegar a até 8% do salário.

Estes fatores, além do estresse provocado no deslocamento e a crescente demanda por parte dos trabalhadores, têm fomentado o trabalho remoto. Cavalcanti detalha em entrevista como as empresas podem unir o ‘útil ao agradável’, isto é: oferecer um ambiente de trabalho mais flexível aliado aos interesses desta nova geração que irá gerar economia ao trabalhador e à organização maior produtividade e engajamento.

6% da receita do trabalhador é gasta no deslocamento ao trabalho, o que isso implica na produtividade e engajamento dos colaboradores, como as empresas podem minimizar isso?

As companhias podem oferecer aos colaboradores a possibilidade de montar um homeoffice ou realmente ter um sistema de trabalho flexível como uma filial ou em um coworking, ou seja, um local que possibilite a este funcionário se locomover em um espaço menor.

Isso acaba reduzindo o custo do colaborador. À empresa, claro, para que este formato funcione precisa investir em novas tecnologias e em estrutura de acesso.

A questão em si não é apenas sobre homeoffice, mas sim em haver um ambiente de flexibilidade para que o funcionário possa trabalhar de casa ou de um ambiente independente de onde ele esteja. Isto é: ele pode começar o dia em casa e durante o dia visitar clientes e acessar o ambiente da empresa indiferente do local que se encontre e só no final do dia, se houver necessidade, passar na organização.   

Como as empresas devem agir sobre questões de homeoffice, de quem é a responsabilidade pela estrutura?

O fato do funcionário trabalhar em casa não isenta a empresa. Ou seja, a estrutura básica: internet, equipamento, linha telefônica e até mesmo questões físicas, como: cadeira ou mesa, são de responsabilidade da organização.

Logo, a organização tem a vantagem de não ter o funcionário local, o que reduz custos, no entanto se o colaborador está no horário de trabalho é responsabilidade da organização manter este local e averiguar se ele está apto para o trabalho. Isto é importante por que se o funcionário montar um homeoffice por conta própria e vir a ter algum problema de saúde a organização ainda é responsável. Então, as companhias precisam tomar muito cuidado com estes detalhes.

Segundo a Regus, o custo médio de um homeoffice é de mil reais mensais, por esta lógica o ideal seria incentivar o uso de coworkings?

É o que tem acontecido. Por exemplo, os nossos clientes são originários de homeoffice e a organização oferece a eles a oportunidade de acessar a nossa estrutura (Regus). Este formato tem algumas vantagens, por exemplo, em geral, uma estrutura de coworking está dentro das normas de segurança para trabalho. Isto é: questões como ar-condicionado, cadeira, espaço para reunião, banheiro e café, estão acessíveis aos colaboradores em espaços de trabalho flexível. Ou seja, a companhia permite ao colaborador ao invés de atuar em homeoffice uma estrutura pronta e mais próxima de sua residência. Isto é bom à empresa que reduz os custos de investimento (mobiliário, banda larga, telefonia, etc) e é bom para o colaborador que, além de estar próximo a sua casa, tem acesso a um ambiente onde é possível também a interação. Percebo que as organizações têm encontrado em locais de coworking a opção de oferecer este espaço já configurado e com acesso a vários locais da cidade.            

Segundo reportagem da Infomoney, as empresas americanas economizariam até $500 bilhões anuais se aplicassem homeoffice em apenas meio período, essa economia poderia se refletir nas empresas aqui?

Eu sou um dos maiores defensores do conceito do trabalho flexível, seja ele puramente homeoffice ou combinado com espaço de coworking; a questão é o que sempre se fala: a redução de custo. Ou seja, ter menos pessoas na empresa significa ter um espaço menor, ter custos menores em aluguel, IPTU, conta de luz, etc. Ao mesmo tempo, tem-se um investimento menor e consegue-se adaptar de acordo com a demanda. É deste conjunto de fatores que vêm a economia; pois ao passo que há a cultura de flexibilidade é possível atuar até mesmo em contratações flexíveis, por exemplo: por projeto. Outra vantagem de atuar em um espaço de coworking é a flexibilidade de contrato, pois ao contrário de um espaço convencional é possível locar a estrutura por um dia, uma semana, um mês, ou seja, pelo período que for necessário.

A questão em si não é apenas sobre homeoffice, mas sim em haver um ambiente de flexibilidade para que o funcionário possa trabalhar de casa ou de um ambiente que independa de onde ele esteja.

As empresas estão preparadas para gerir colaboradores de maneira remota?
Pelo que percebo sim. Não só estão preparadas como já estão utilizando. Entendo haver por parte delas uma preocupação em oferecer esta facilidade aos colaboradores. Se pegarmos o exemplo de algumas multinacionais que estão chegando ao Brasil, é possível visualizar esta busca por facilidade e flexibilidade. Isto é, pela lógica do coworking é mais fácil as empresas migrarem de uma região para a outra sem que isso infira em altos custos. Então, hoje homeoffice e coworking não são mais uma tendência, é algo que está acontecendo e as organizações que estão trabalhando desta maneira estão economizando e estão conseguindo ser mais competitivas.

90% dos trabalhadores confirmam usar pelo menos uma ferramenta de mensagens instantâneas para se comunicar dentro da empresa, muitos apontam utilizar o whatsapp para este fim. Qual é a importância disso? Há a necessidade de se ter este processo regulamentado?
Utilizar o whatsapp não tem problema, desde que ele seja bem utilizado. Por exemplo, se a empresa oferece ao colaborador o telefone corporativo com a função, ele deve ser usado apenas para fins profissionais. Na minha opinião, a comunicação instântanea funciona bem, é mais rápida que email, porém é preciso que ela seja trabalhada com normas e regras claras, para que não seja misturada a utilização pessoal à profissional.

Como iniciar um projeto de homeoffice ou projeto flexível?
Isso é muito simples, porque a ideia do trabalho flexível é que ele tenha esta configuração desde o início. Por exemplo, em geral as empresas de coworking, como comentei, facilitam questões contratuais, ou seja, não há a necessidade de fechar um contrato de locação de um ano para um espaço físico. Além disso, há toda a estrutura empresarial acessível em serviços deste modelo.  

Em relação a sistemas, como a empresa deve estar preparada?
O primeiro ponto de preocupação da empresa é com questões de internet. Por exemplo, se um funcionário está atuando em homeoffice, a organização deve estar atenta a isso. Outro ponto é avaliar se o colaborador ou o setor da organização irão de fato funcionar sob esta nova política. Estas questões devem ser muito bem avaliadas para que a vantagem não se torne desvantagem.

O que implica a regulação do trabalho remoto?
Há muita dúvida neste sentido, mas hoje o trabalho remoto está ligado à legislação trabalhista vigente. Percebo que muitas empresas não têm optado pelo trabalho flexível motivado por esta questão. No entanto, pela forma como a prática está crescendo, acredito que será necessário rever estas leis e adequá-las a esta nova realidade.

Então, hoje o que impede o trabalho remoto é a falta de clareza da legislação?
Exato, são as questões que trabalhamos aqui: o que se aplica?, o que não se aplica?, e de quem é a responsabilidade?, que é da organização. E, embora muitas achem que não, por que o funcionário está trabalhando em casa; a empresa é sim responsável tanto pelo investimento quanto pela manutenção.

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Sobre o entrevistado

Otavio_CavalcantiOtavio Cavalcanti é diretor da Regus Brasil, onde trabalha desde 2009. Está sob sua responsabilidade a performance dos centros de negócios da companhia, na região de São Paulo. Otavio é graduado em Letras, pela Universidade Paulista, com pós-graduação em Comunicação e Marketing pela Cásper Líbero e MBA em Gestão de Marketing, pela PUC São Paulo.

 

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